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Araioses - MA

Atualizado: Abr 30

(05/11/2018)


Em Araioses nosso foco já estava muito bem definido. Ali é realizado um lindo trabalho de pesquisa e monitoramento pela ONG Tamanduá do Brasil de estudos, pesquisa e monitoramento do pequeno Tamanduaí, um tamanduá que pesa cerca de 200 gramas. Um bichinho muito simpático, dócil e muito, muito difícil de encontrar por conta do seu poder de mimetismo.

Aqui tivemos o apoio cultural do Professor Raimundo Pinho Gondinho, gestor do IFMA/MA (Instituto Federal do Maranhão) Campus Araioses que gentilmente nos hospedou em sua residência, tornando possível o desenvolvimento do nosso trabalho. Também do biólogo Alexandre Martins, responsável pelo projeto Tamanduaí em Araioses. A base da ONG Tamanduá do Brasil fica na cidade de Parnaíba no Piauí, por uma questão de facilidade logística e estrutural. Tendo como companheiros Alexandre Martins e seu assistente Francisco que é nativo da região e exímio conhecedor dos costumes e hábitos da criaturinha que nos cativou e fez com que fossemos até lá.

O Tamanduaí, em Araioses costuma viver sobre cajueiros. Tem hábitos noturnos e é bastante difícil de ser encontrado. Pequeno e com um incrível poder de mimetização, se esconde com muita facilidade por entre os galhos e folhas dos cajueiros. Francisco, auxiliar de Alexandre, é capaz de identificar as menores alterações na paisagem e foi somente com a ajuda dele que depois de pouco mais de uma hora encontramos uma fêmea, prenha, descansando no cajueiro. Alexandre realizou o trabalho de rastreamento e identificou que aquela menina (Jurema) já estava microchipada. Francisco com muita habilidade subiu na árvore e conseguiu capturar a criaturinha. Com muito cuidado colocou-a num saco especial para aquela atividade de captura, o que garante a segurança do bichinho. O biólogo responsável mediu, pesou e fez as devidas anotações. Por fim, colocou Jurema sobre um tronco para sua liberdade o que possibilitou a Evandro realizar as fotografias. A luz estava perfeita, a paisagem ideal e Jurema parecia desfilar para as lentes. Subiu a árvore com tranquilidade e seguiu para continuar seu descanso.

Ainda em Araioses fomos conhecer a Ilha Canárias. Para acessar a ilha é necessário ir até Parnaíba, no Piauí. É de lá que as lanchas partem o tempo todo para a ilha. São lanchas de linha, o transporte coletivo. Na ilha vivem cerca de 3000 habitantes, em comunidades bem organizadas. Inicialmente num passeio mais solitário, Evandro e eu fomos em busca da lagoa de sal, distante cerca de dois quilômetros da sede. Não foi difícil encontrá-la. Na lagoa havia alguns ilhéus pescando. O extrativismo é a maior fonte de renda e alimentação daquele povo.


Ali conhecemos o seu Solinha, simpático ilhéu que nos contou muitas histórias e nos levou a conhecer melhor os arredores da lagoa. Já a tarde percorremos por toda a ilha de quadriciclo. Parando aqui e acolá, conforme a paisagem se apresentava. A Ilha Canárias é banhada por diversas lagoas. Um verdadeiro berçário para a fauna. Conhecemos as principais delas que são: Lagoa Boca de Côco e Lagoa Caiçara.


Seguindo chegamos até o ponto máximo por terra, o Morro do Meio. Uma visão de esplendor. O morro na verdade é um conglomerado de dunas que encontram o mar. Ali também é onde acontece o encontro das águas dos rios com o mar. Ao longe, era possível observar praticantes de kindsurf, um esporte muito interessante em que o atleta usa uma prancha acoplada a uma espécie de paraquedas, que tem mais a função de vela. Para o lado esquerdo, as exuberantes dunas e os canais que por elas passam. Ficamos cerca de uma hora fotografando e gravando aquela paisagem. Evandro não se cansava de buscar o melhor ângulo e a luz ideal. O sol começava a baixar, era o momento de seguir. Logo no mar, uma pequena embarcação vinha ao nosso encontro. Era o seu Antônio que vinha numa missão mais que especial – nos levar até o dormitório dos Guarás para ver e registrar um evento fantástico que é a revoada de milhares deles. Lá chegamos e respeitando uma distância limite entre nossa embarcação e a ilha escolhida pelos emplumados vermelhos, pudemos enfim testemunhar o verdadeiro ballet que faziam. Chegam em grandes grupos, como se cada um já tivesse seu local definido nos galhos do alto mangue. Ali o sol realçava ainda mais tons tons de vermelho. Por entre os Guarás, diversas Garças davam umas pitadas de branco embelezando a cena. A vontade mesmo era de largar o equipamento e ficar apenas apreciando aquilo tudo. O sol baixa rápido, as aves vão silenciando, é momento de deixá-las tranquilas. A noite caiu, cansados, ainda havia o retorno de quadriciclo entre areia e buracos. Uma noite de descanso na ilha foi essencial.


No dia seguinte era momento de retornar a Araioses, nos despedirmos de nosso anfitrião, professor Pinho e cair na estrada novamente. E lá vamos nós para a rotina. Deixamos novos amigos que conquistamos, com a certeza do retorno. Próxima parada, Tutóia. Ah, claro! Esqueci de mencionar. Em Canárias o nosso contato foi o Beto – dono de agência e também realiza os trabalhos

(Texto Edemar Miqueta)


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