Baixada Maranhense

Atualizado: Abr 30

(01/08/2018)


A Baixada Maranhense tem quase 18 mil km². É uma imensa planície inundada no norte do estado, onde o vai e vem das águas muda a paisagem dia após dia e a natureza brota entre rios e lagos. A região representa o maior conjunto de bacias lacustres do Nordeste.


Por toda essa riqueza natural, a região é fonte de vida para os moradores ribeirinhos. A Baixada pode ser considerada o ‘Pantanal Maranhense’.


É uma região importante também por abranger 21 municípios no Maranhão: Anajatuba, Arari, Bela Vista do Maranhão, Cajari,  Conceição do Lago-Açu, Igarapé do Meio, Matinha, Monção, Olinda Nova do Maranhão, Palmeirândia, Pedro do Rosário, Penalva, Peri-Mirim, Pinheiro, Presidente Sarney, Santa Helena, São Bento, São João Batista, São Vicente Ferrer, Viana e Vitória do Mearim.


Nossa jornada começou teve início em São Bento. Primeiramente porque já passamos por ali em outra oportunidade na qual ministramos oficinas de cinema documental e fotografia a um grupo de jovens do fórum da juventude da baixada. Foi numa dessas oficinas que conhecemos Evandro Dias. Professor de geografia e amante da fotografia e da natureza. Evandro e sua família foram nossos anfitriões durante nossa estada. Foram momentos mágico e de revelações. Mesmo chegando já no momento em que os lagos estavam baixando, ainda pudemos observar a magnitude do fenômeno que ocorre. Vida para todo lado. Uma paisagem totalmente diferente da que já havíamos visto anteriormente. Ouvíamos muito os comentários sobre os lagos e, que deveríamos voltar para realizar um registro. Foi o que fizemos e sem dúvida alguma, valeu muito mesmo.


Saindo de São Bento fomos para Viana, distante 216 quilômetros de distância. Viana é conhecida como: Cidade dos Lagos. Assim como em São Bento, o deslumbre pelo espetáculo da natureza. De Viana, tomamos uma canoa e juntamente com o caseiro (Ribamar, conhecido por Bichinho) da fazenda do Sr. Raimundo Nonato Correa, que nos hospedou. Cruzando o lago, chegamos a um lugar paradisíaco, já pertencente a Cajari. Ali tivemos a oportunidade de fotografar a noite, buscando pelos melhores ângulos e, principalmente aproveitando o wue a natureza tem de melhor, a paz. Voltando no dia seguinte a Viana, começamos nossa busca. Circulamos pela cidade e fomos para os belos campos alagados. Por inexperiência, acabamos (Edemar) atolando a “Valente no lodo do campo que antes estava coberto por água. Sem sucesso em nossas tentativas para tirar a caminhonete do local, tivemos que deixá-la ali para passar a noite, caminhamos por 9 quilômetros até a cidade e somente no dia seguinte voltar, com apoio da prefeitura, voltamos para  resgatá-la. Em três homens, embarcados numa única moto e sem capacete, fomos ao encontro de um caminhão da prefeitura para desatolar a “Valente”. A primeira notícia: o caminhão não é traçado. Pensei imediatamente: isso não vai dar certo! Evandro e eu apenas nos olhamos, mas…. vamos lá, o caminhão é grande e forte. Não deu outra, na primeira tentativa de chegar ao campo, o caminhão derreou e ficou atolado. Agora, mais um pra ser resgatado. Resumindo, somente na tarde do segundo dia é que chegou até nós um trator, esse conseguiu resgatar a todos. Fiquei (Edemar) com fama de pé frio. Ainda acho que sou apenas inexperiente!


Façanhas à parte, resultado foi de captação de lindas imagens. Mesmo muito cansados, a experiência foi fantástica.


De Viana partimos para Penalva. Em Penalva, a fama das Ilhas Flutuantes já aguçavam nossa imaginação. Já tinha ouvido muito falar dessas ilhas. Primeiramente por conta da produção do Documentário “No Palco com Aldo Leite”, o maior teatrólogo maranhense que escreveu “Aves de Arribação” um tributo a Penalva, aonde nasceu. Em Penalva fomos muito bem recebidos pelo vereador Professor Nonato e pelo também professor Francisco Oliveira (Pró-Turismo). Pessoas extremamente preocupadas com o desenvolvimento do município, mas de forma consciente, na qual o progresso e o desenvolvimento turístico sejam capazes de conviver harmoniosamente com a preservação da natureza.


Da sede da cidade, fomos conhecer o Lago Formoso, aonde se formavam as famosas ilhas flutuantes que, durante o período chuvoso, se movimentam, deixando os desavisados presos As pequenas ilhas, ao se deslocarem formam uma espécie de cordão de isolamento com outros trechos de terra. A maior dessas ilhas é a Ilha Formoso, que foi a base para a dramaturgia de Aldo Leite em Aves de Arribação. Também conta com inúmeras variedades de peixes e aves nativas e migratórias.       


Fomos até a fazenda do Sr. Wilson de Jesus Leite Balby, um empreendedor e protetor da natureza. Lá, tivemos a triste notícia de que as ilhas já não existem mais,  foram destruídas por incêndios criminosos e outras ações de depredação da natureza. O lago Formoso corre o risco de desaparecer, está secando a cada dia e se nada for feito, em breve deixará de existir levando consigo toda a vida que se faz presente. O professor Francisco Oliveira diz-se chocado com o que viu. Em seu olhar eram perceptíveis a tristeza e decepção pela perda de algo tão belo e tão “vivo”.


(Texto Edemar Miqueta)



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