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Cajapió - MA

Atualizado: Mai 4

(25/11/2018)


"Cajapió" é uma palavra Tupi-guarani que significa fruto maduro ou fruto dourado, é a forma como os índios que ali habitavam chamavam o fruto do cajazeiro em seu estado maduro. chegando até mesmo a chamá-lo de cajá de ouro. Considera-se que Cajapió faça parte da baixada maranhense, porém, o litoral é muito mais presente no dia-a-dia dos seus habitantes. Nosso contato em Cajapió era Renato Mendes do Departamento de Comunicação. Através de Renato fomos apresentados a Mosart Rogério Soares (Secretário Municipal de Educação), José Arnould Soares (Coordenador Municipal de Cultura), Herbert Fonseca (Diretor do Departamento de Turismo) e o Professor João Martins, Biólogo.

Nosso foco em Cajapió era a Ilha do Caranguejo, famosa por seus contos e lendas que cerceiam o imaginário popular. Ilha misteriosa, de histórias de OVNIS e abduções alienígenas que fazem parte dos relatos locais. O caso mais instigante aconteceu em abril de 1977, com os irmãos José, Firmino, Auleriano e Apolinário Corrêa. Neste link (clique aqui) você pode conferir um pouco mais sobre o caso.

Por falta de tempo e organização ficamos impossibilitados de irmos até a ilha misteriosa, o que nos causou certo desapontamento e decepção. Afinal, era justamente a ilha o nosso objetivo em Cajapió. Mas fazer o quê? Tínhamos que fazer algo, e assim continuamos.

Acompanhados da equipe da prefeitura municipal, em nosso primeiro dia fomos conhecer e fotografar a praia de Itapéua, local onde foi encontrado fóssil de dinossauro, em 2015. O lavrador e também pescador Carlos Wagner Silva Lindoso de 35 anos, foi o responsável por encontrar casualmente quando estendia uma rede, os ossos gigantes, na praia de Itapéua no litoral do município de Cajapió. O professor Manuel Alfredo Medeiros, do Departamento de Biologia e também responsável pelo Laboratório de Paleontologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), diz que se trata de dois fósseis de dinossauros herbívoros, animais de grande porte, medindo cerca de 20 metros, pertencentes ao grupo dos Saurópodes, subgrupo dos diplodocóides, que apresentam cauda e pescoço longos. Viveram no período cretáceo, entre 145 a 66 milhões de anos. Em um primeiro contato, foi detectado a parte dorsal dos animais, incluindo o úmero e parte da caixa torácica. Um grupo de jovens estudantes graduados da HISPEDABIOTEC, que fazem um trabalho de pesquisa cultural e resgate e preservação no município de Cajapió, se organizaram e ficaram atentos e cuidadosos para que aproveitadores e piratas não se apropriassem do material e tirassem do município a importância do achado, disse a historiadora Taíza Ribeiro.


Representantes da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão realizaram um trabalho conjunto sob a supervisão do professor Manuel Medeiros. Foi um trabalho muito difícil por conta da grande variação da maré que acontece no Maranhão. A maré só baixa uma vez durante o dia e outra a noite. O espaço de tempo para remover o material era de quarenta minutos a uma hora e meia, no máximo. A corrida contra o temo ocorreu abaixo de sol e chuva. Não há nenhum registro de trabalho semelhante no mundo: tirar um fóssil naquela situação de maré.

A descoberta no litoral de Cajapió ode ajudar a desvendar porque os mesmos subgrupos de dinossauros são encontrados tanto no norte da África quanto no Maranhão. Uma das teorias científicas é a da deriva continental, ou separação dos continentes que ocorreu no final do período cretáceo, devido ao movimento mais intenso das placas tectônicas. A América do Sul teria se deslocado para o oeste e a África para o leste. O processo gerou uma depressão no litoral que propiciou o depósito de sedimentos como conchas, vértebras, dentes e carcaças de animais em meio às rochas. O material permanece no Centro de Pesquisa em Paleontologia e História Natural do Maranhão, que fica localizado no Centro Histórico da capital, São Luís.

Infelizmente, por conta da variação da maré e principalmente, do período em que chegamos – super lua – não foi possível realizar nenhum tipo de registro dos sinais deixados pelo trabalho realizado pela equipe de pesquisa.

A praia de Itapéua é um lugar fascinante, porém há muitos “rastros” que que o homem costuma deixar. Há diversas barracas ao longo da praia que são utilizadas pelos vendedores locais nos períodos de férias. Não se pode dizer que é algo bonito para se ver. Penso que a administração deve tomar medidas urgentes para organizar e regulamentar a situação. Em contraste a isso tudo, é possível de ver grande quantidades de espécies de aves, tanto endêmicas quanto migratórias, que fazem um belo espetáculo ao final do dia, aproveitando o movimento das marés e do sol. Seguindo pela praia encontramos diversas cabanas de pescadores. O extrativismo é a grande economia de Cajapió.

Cajapió merece ser visitada. Tem uma paisagem que fascina até mesmo o coração mais duro. Mas é preciso estar preparado, pois há somente um hotel na cidade e que deixa muito a desejar. Restaurantes não oferecem nenhum prato local, e que pelo que soubemos, há deliciosas especiarias que mereceriam estar disponíveis a quem por ali, “encosta”, como se diz no Maranhão. (Texto Edemar Miqueta)


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