Carolina - MA

Atualizado: Abr 30

(10/08/2018)


Partindo de Penalva percorremos 743,6km, numa viagem de 12 horas, em direção a Carolina – Capada das Mesas. Chegamos em Carolina no início da noite. Bem recepcionados no New Center Hotel, bem no centro da cidade,tratamos logo tirar as tralhas da Valente e nos ajeitar nas acomodações do hotel que em parceria com a Prefeitura Municipal de Carolina, através da Secretaria de Turismo na pessoa de Leonardus Borges, secretário de turismo, nos ofereceram hospedagem por todo o período de nossa estada na cidade. Logo mais a noite, Tino – guia local da SETUR (Secretaria de Turismo), veio até nós para programarmos as saídas fotográficas. Carolina oferece uma programação bastante interessante aos turistas, mas como sempre, pedimos rotas alternativas, nosso objetivo inicialmente era explorar áreas e locais ainda pouco difundidos. Evandro busca por fotografar a paisagem natural com a menor intervenção humana possível, então esse era o nosso foco inicialmente. Tarefa nada fácil, apesar de ser um parque nacional, a presença, diga-se, intervenção do homem, estava em toda parte.


O Parque ainda está no processo de criação do plano de manejo e indenização aos proprietários das terras.  Sem dúvida que isso não tirou o brilho que a Chapada das Mesas tem. É um lugar fantástico e que merece ser visitado. Percorremos cerca de 170 quilômetros (é possível apenas com veículo 4×4) dentro do parque, claro que com as devidas autorizações do ICMBIO. Uma paisagem deslumbrante, uma visão incrível do cerrado com áreas totalmente intactas, sem vestígios de queimadas (o que é muito comum no cerrado por conta da ação humana), graças ao intenso trabalho de prevenção realizado por Deijacy Rego – Chefe do Parque Nacional Chapa das Mesas, e equipe de apoio. E lá se foi um dia todo tendo como resultado belíssimas imagens.


No dia seguinte fomos conhecer um local que está, por hora, fora do roteiro turístico: Um buritizal que se encontra na propriedade do seu Mundico (Raimundo Nonato) conhecido como Lagoa Preta. Tito, nosso guia, estava apreensivo por pensar que não iríamos gostar do lugar. Como ele estava enganado. De cara, foi difícil encontrar um ponto para se ter uma bela imagem. A Lagoa Preta é rasa apenas no seu início, mas a parte mais interessante para se poder ter uma boa fotografia ficava na área mais profunda.


Fui mata adentro tentando encontrar um ponto de vista melhor. Próximo aos buritis. No solo uma massa de folhas úmidas formavam uma espessa camada na qual os pés afundavam à altura das canelas. Confesso que estava um tanto receoso, suspeitava que poderia haver por ali, cobras peçonhentas e sucuris, mas fui em frente. Até entrei na lagoa, mas não estava dando muito certo. A vegetação caída na água me deixava cada vez mais inseguro. Voltei ao local no qual havíamos chegado. Ali havia uma canoa que estava afundada na água (para não rachar). Com a ajuda de Evandro e Tino esgotamos a pequena embarcação, pegamos um pedaço de tábua que estava por ali e fomos, Evandro e eu, lagoa adentro. Em alguns pontos, uma profundidade de até três metros. Água cristalina e fotografias fantásticas. Enfim, Evandro conseguiu o ponto de vista que buscava. Mais tarde, já na casa de seu Mundico perguntei se havia possibilidade de ter alguma sucuri por ali – seu Mundico: Má rapá. Se tava é na casa delas! E além de sucuri, tem também cascavel, jararacaçu e rabo fino (essa última é curtinha e extremamente venenosa).


Sabe, é bom quando não temos conhecimento de certas coisas. Naquele mesmo dia, a tarde, visitamos o complexo de Pedra Caída. Estivemos ali em 2013, na época era algo bem modesto, mas acolhedor, agora tornou-se um resort, mas de beleza incontestável. Nossos objetivos ali eram a Cachoeira da Caverna e Cachoeira do Capelão. As demais e outros atrativos, já tinha,os registrado em 2013. Deslumbramento a cada olhar. O sentimento? Ainda não consigo descrever.


Uma nova manhã. Despertamos cedinho e fomos em direção à Cachoeira do Prata e São Romão (São Romão é a cachoeira com maior volume de água do Maranhão), ambas na corrente do Rio Farinha. São 30 quilômetros pela rodovia e depois mais 41 quilômetros para chegar até a cachoeira do Prata e depois mais 19 até a cachoeira de São Romão. O acesso não é fácil. Muita areia, muita mesmo. Somente de veículo 4X4 ou moto, mas vale cada quilômetro percorrido. Na cachoeira do Prata (R$15,00 por pessoa para o para apreciar a paisagem, se for almoçar ou jantar, não é cobrada a taxa de visitação) a estrutura é rústica e linda, tudo comandado pelo seu Delsivan da Silva Carneiro –  (99) 988024119 – e sua família. Ali você pode pernoitar em redes ou acampar.


O nascer do sol na Cachoeira do Prata é uma obra de arte que o “Universo” preparou para mexer até mesmo com o mais duro dos mortais. Provar um delicioso Tambaqui ou Carne de Sol, não pode ficar de fora do seu programa. As refeições são preparadas com muito carinho pela família. Seu Delsivan oferece ainda, a passagem de balsa pelo Rio Farinha para a outra margem (Estreito) na qual é possível chegar à prainha e apreciar todo o esplendor da Cachoeira do Prata. Você pode ir em qualquer dia. Estão sempre a postos para receber. Em São Romão há uma estrutura para receber visitantes com restaurante e lanchonete. Uma tarifa de R$ 15,00 por pessoa. Junto à Cachoeira de São Romão, o rio Farinha forma um lago incrível. Ali são oferecidos caiaques para pequenos passeios pela formação. Em São Romão o horário é limitado, das 08:00 às 18:00. Fica aberto diariamente, não fecha para manutenção.


Para encerrar os nossos trabalhos em Carolina, a pedido do secretário Leonardus Borges, Tino nos levou para conhecer a Pedra Encantada que fica a 45 minutos de barco, seguindo pelo Rio Tocantins. Do meio do Rio Tocantins pudemos ver os morros da chapada como se estivessem a desfilar. Uma paisagem natural singular. Em meio a tantos encantos nem percebemos o tempo passar. Uma navegação tranquila com o experiente Josemar (barqueiro) que nos conduziu para a Pedra Encantada. Olhares atentos a todos os lados, difícil escolher entre registrar ou apreciar aquilo tudo. Chegamos até a Pedra Encantada – não é a toa que leva esse nome – a Pedra fica dentro do Rio Tocantins como se fosse uma pequena e mágica ilha. Meus pensamentos viajaram naquele instante. Ao fundo, camadas de morros que formam uma chapada no lado Tocantino davam um espetáculo à parte a formação rochosa, imponente dentro do rio, obra de um talentoso escultor. Por toda parte, a vida respira, flui sem se importar com a nossa presença. Senti que nós éramos os intrusos ali, que atrapalhávamos uma rotina natural e mística. Era hora de voltar. O sol, mais uma vez, deu a graça da apresentação de sua magestosidade. Foi, lentamente   saindo de cena, como se quisesse nos dizer: pronto, agora vocês já podem voltar! Respeitamos…


(Texto Edemar Miqueta)



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