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Ilha de Lençóis, Cururupu - Ma

Atualizado: Abr 30

(30/11/2018)


O Arquipélago de Maiaú é um paraíso praticamente inexplorado do Maranhão. É composto por cinquenta ilhas que encantam por suas dunas, piscinas naturais, revoadas de guarás e aves migratórias que por ali encostam. Para chegarmos ao nosso destino partimos de Apicum Açu, por ser, no continente, o ponto mais próximo para se chegar à ilha, cerca de três horas de viagem de barco. Antes da partida fomos aconselhados por Fernando - (98) 98416-8010 - que é proprietário da pousada Recanto das Aves e parceiro do nosso projeto, a levarmos dinheiro em espécie. Na ilha há pequenos comércios que podem suprir necessidades básicas, mas não há caixas eletrônicos, correspondentes bancários e nenhum estabelecimento aceita cartões. A Ilha de Lençóis possui energia eólica e painéis solares e o sinal de telefone celular é bastante difícil.

Na embarcação estávamos acompanhados por Fernando, proprietário da pousada; seu Antônio (barqueiro que leva você até a ilha de lençóis – (98) 98431-0057) e ainda por Mônica, uma ginecologista de Belo Horizonte que tem raízes maranhenses.

O fascínio em ver as dunas assim que entramos na baia que circunda a ilha de lençóis invade a qualquer um que tenha a oportunidade de ali estar. O místico brilho das areias dá um clima especial e mágico que emolduram o lugar. Assim que chegamos, o sol queimava forte e um banho era mais que necessário.


Não demorou fomos chamados para o almoço, de cara pudemos provar a deliciosa culinária local que ficou a cargo de Valderez, uma nativa com dotes culinários surpreendentes. Sem dúvida a base da culinária por ali é o peixe, o que nos agrada muito. Durante as primeiras horas da tarde não se tem muito o que fazer, o sol nesse horário está fritando e as areias que formam a vila fica insuportavelmente quente. Então decidirmos um merecido descanso. Ao final da tarde, já recuperados, juntamente com nosso mestre marinheiro, seu Antônio, Fernando e Mônica, fomos até uma ilhota para apreciar o espetáculo dos Guarás. Ali as aves têm um comportamento mais tranquilo em relação aos humanos, creio que seja devido ao fato de não serem mais capturados e caçados pelos ilhéus. À noite, o jantar já estava servido quando retornamos da incursão. A noite não há nada em especial a se fazer por ali. Então nos recolhemos para um merecido descanso em meio àquele paraíso. Pensamos em ir até as dunas a noite, no entanto, na noite que viria seria mais interessante, pois seria noite de lua cheia... mais mágica no ar.

Novo dia que amanhece. A ideia de hoje é circundar a ilha, algo que não tivemos a oportunidade de fazer em 2015 quando estivemos ali. Sem dúvida foi uma incursão fantástica. Você sabe qual a impressão de ter uma ilha só para você, com praias desertas e tendo a oportunidade de poder olhar a vida a sua volta? Sei lá... coisas bem profundas vêm a mente em momentos assim. Ao mesmo tempo as lembranças de tudo o quanto está sendo destruído no mesmo instante em que estamos ali, nesta reflexão. A tristeza bate forte, mas a esperança vai surgindo pouco a pouco. Assim, dá para respirar e olhar a vida novamente, como algo em constante movimento e transformação, mesmo que, sem a nossa “ajuda”. Chegamos numa parte da ilha aonde há uma paisagem surreal. A natureza “morta” na qual a vegetação foi sufocada pela areia das dunas e agora ressurge nos dando um belo exemplo de resiliência. Um lugar incrível, na qual a vida “grita”. À noite, finalmente fomos até as dunas para apreciar o luar. Não consigo descrever a sensação. O sentimento é tão profundo que só mesmo você estando lá para entender o que senti. Queria que o dia não chegasse. O tempo parece congelar. Uma sensação de leveza da minha alma tomou conta do meu corpo. Acho que aquilo era uma espécie de transe. O Universo é lindo.

É muito comum encontrar pessoas do mundo todo por ali. Em geral chegam em veleiros que já viajaram por todo o mundo. A troca de experiências é algo fascinante. Numa dessas oportunidades conhecemos um suíço, Daniel – trabalha com turismo internacional -, que trouxe para a escola e o posto de saúde da ilha, um filtro de água com nanotecnologia que não existe no Brasil.

Em nosso último dia na ilha, fomos conhecer o farol. Fica bem próximo da ilha, mas é necessária embarcação para se chegar até ele. Está localizado numa área de proteção da marinha. Na teoria deveria haver uma guarnição de serviço da marinha que estivesse no local para tomar conta e proteger, na teoria, pois na prática a guarnição fica mesmo é na ilha de lençóis o tempo todo. No local aonde está o farol, há também cinco casas construídas em alvenaria, algo que um dia foi muito bem estruturado, mas que hoje é comandada pelos marimbondos. As casas estão totalmente depredadas por conta da ação da maresia e do tempo. No percurso até chegar ao farol, encontramos diversas lagoas (profundas) mas que nesta época do ano estão secas. Segundo o seu Antônio, ficam lindas quando cheias. Temos que voltar na época certa para podermos apreciar esta beleza toda.

Creio que tudo isso que estou escrevendo, você poderá experimentar um pouquinho quando tiver o livro em suas mãos. Digo um pouquinho pois a missão de poder expressar isso tudo o que sentimos, através da imagem, ainda não foi atingida. Quando você puder estar na ilha de lençóis, vai entender muito bem o que digo. Deixamos a ilha de lençóis com o mesmo sentimento que nos acometeu em 2015. É como se faltasse algo que não fizemos. Quem sabe um dia ainda vamos descobrir o que é...


(Texto Edemar Miqueta)


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