Morros e Presidente Juscelino - MA

Atualizado: Abr 30

(24/11/2018)


Estivemos em Morros pela primeira vez em 2015 quando buscávamos locações para as gravações de um longa metragem (O Camelo, o Leão e a Criança), com direção de Paulo Blitos e produção nossa. Sua geografia é caracterizada por uma grande quantidade de morros, com lindas paisagens de mata nativa, recoberta por formações vegetais distintas. O município faz parte da bacia do Munim e é banhado pelos rios Munim e seus afluentes: Una, Mocambo, Axuí e outros. Dada a influência das marés que penetra pela foz, o rio é propício para a pesca tanto de água doce como de água salgada e apresenta uma navegabilidade em toda sua extensão no município, tornando um atrativo de grande beleza. As principais atrações turísticas em Morros são os rios Munim e Una; cujas águas são cristalinas e frias. O Rio Una possui uma beleza considerável por ter águas límpidas. Seu leito é formado de areia fina, alguns trechos de rochas e pedras; e as suas margens, compostas de uma vegetação exuberante. Podendo ser apreciado tanto em passeios de barcos pequenos ou canoas que levará o visitante também a conhecer outros balneários como: Una do Mato Grosso, Balneário Una dos Paulinos, Balneário do Bom Gosto, Una Grande, trilha ecológica, Una das pedras, Una das mulheres, Una dos escoteiros, Una dos Moraes, Una da Fazenda, Una dos Bois e a cachoeira do Arruda, o mais bonito de todos balneários. Afastada da cidade e de acesso difícil, reservado apenas a veículos tracionados, através de trilhas, a cachoeira do Arruda é um lugar paradisíaco, formado por uma pequena queda d'água e piscinas naturais, que proporcionam momentos mágicos a todos que ali chegam.

Em Morros tivemos contato com a secretária de Turismo Saude Ribeiro. Chegamos a Morros num sábado, a cidade com pouco mais de dezessete mil habitantes, estava imersa num silêncio. Comércio fechado e quase ninguém pelas ruas, devia ser por conta do calor escaldante daquela tarde. Nos hospedamos e buscamos por informações de como chegar aos nossos destinos. A secretária estava ausente da cidade e não foi possível nos passar nenhuma informação. Não há nenhum centro de atendimento ao turista ou informativo disponível. Penso que isso deveria ser prioridade para o local. Enfim, tomamos a iniciativa e agora era preciso saber localizar aonde iríamos. Evandro é muito bom com mapas e foi no Google Earth que conseguimos traçar a rota que era do interesse imagético.


Na manhã seguinte já bem cedo partimos com destino ao rio Una. Para nossa surpresa, a polícia militar estava bloqueando o acesso às margens do rio, isso ainda dentro dos limites urbanos da cidade; alegavam que as margens do “rio” estava passando por obras da prefeitura para melhorar o atendimento aos turistas. O jeito era seguir para a Cachoeira do Arruda, outro ponto de grande interesse, afinal ainda era bastante cedo e seria interessante que chegássemos lá antes de outras pessoas. Chegando na comunidade que dá acesso ao Arruda encontramos algumas pessoas da associação da comunidade. Ali instalaram uma espécie de pedágio, o custo para passar é de cerca de vinte reais para cada. Até aí tudo bem, mas o que não queríamos já estava acontecendo; havia um ônibus parado neste pedágio, dentro dele, cerca de quarenta pessoas munidas de caixas de isopor, sacos de carvão, grades de cerveja e dezenas de pets de refrigerante, dispostas a passarem o dia na cachoeira. Quando me dirigi a uma mocinha que tomava conta de cobrar a entrada perguntei se havia mais alguém na cachoeira; num sorriso discreto me respondeu afirmativamente e salientou: há mais quatro ônibus iguais a este lá. No mesmo instante desistimos da ideia de seguir e voltamos. No caminho do retorno passaram por nós mais três micro ônibus e quando chegamos a rodovia, havia um ônibus parado e outro estacionando para ter acesso à estrada que leva ao Arruda. Já na rodovia, os outros banhos que tem acesso fácil, já estavam totalmente tomados de ônibus cheios de pessoas em igual situação ao primeiro que encontramos. O jeito foi voltar para a pousada e deixar o domingo passar. Na segunda feira tentaríamos novamente.

E a segunda feira chegou, eu para variar numa ansiedade só. Detesto ficar preso a quarto de hotel/pousada, me causa até alergia. Bem cedo (mais cedo ainda) para evitar qualquer surpresa tomamos a estrada e fomos em direção ao Arruda, desta vez, decididos a chegar até lá. Na comunidade que anteriormente havia um pedágio desta vez estava liberado (segundo a secretária de turismo, Saude Ribeiro, esta cobrança é indevida e a prefeitura vai tomar providências). Logo após o ponto do tal pedágio, segue-se por uma estrada de fácil acesso até que em determinado ponto a coisa muda de figura, dali para frente somente de veículo tracionado devido ao terreno arenoso. A Valente tirou de boa o desafio. Uns 20 minutos depois chegamos ao acesso do Arruda. A paisagem é de tirar o fôlego. Águas cristalinas e piscinas naturais que são o melhor exemplo de que o Universo é o maior engenheiro que já existiu. Evandro conseguiu realizar lindas imagens com um olhar aguçado e enquadramentos que só ele mesmo consegue fazer. Para que eu não perdesse toda a beleza do lugar também me esforçei e consegui aproveitar cenas que valem a pena. Subi o drone para ter umas tomadas aéreas. Foi possível realizar um trabalho muito bom ali. Porém os turistas que haviam passado no final de semana haviam deixado um rastro de sujeira e lixo

O desenvolvimento do turismo certamente que é necessário, porém, há que se impor limitações e ter um turismo consciente da preservação. Se a prefeitura não tomar atitude urgente, aquilo tudo vai se perder em pouco tempo. Em nosso cronograma o período que estaríamos em Morros era realmente pequeno. Seguimos nossa jornada.

PRESIDENTE JUSCELINO Presidente Juscelino inicialmente não estava em nossos planos. Mas como a cidade se localiza tão próxima a Morros e temos um amigo que mora lá, Ribamar Reis Costa, então resolvemos dar uma parada.

A cidade é banhada pelo rio Munim e tem formações rochosas dentro do rio muito interessantes. Chegamos num período em que as águas estão bastante baixas. No período das chuvas o rio fica muito mais interessante, mas assim mesmo, há uma beleza peculiar. Há diversas comunidades ribeirinhas que vivem ali e mostram um aspecto muito interessante do convívio entre o homem e a natureza. Nossa passagem foi rápida, mas rendeu belíssimas imagens. Em nossa despedida de Presidente Juscelino a Valente foi acometida de uma distração por conta do frentista de um posto de combustíveis; abasteceu nossa menina com gasolina, o que foi um transtorno. Por sorte que ele nos avisou. Tivemos que retirar todo o combustível que havia no tanque.


(Texto Edemar Miqueta)


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