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Parque Estadual de Mirador - MA

Atualizado: Abr 30

(19/09/2018)


Nosso próximo destino não foi nada fácil. O Parque Estadual de Mirador que está sob a responsabilidade da Secretaria Estadual de Meio Ambiente – SEMA. Conseguir autorização foi relativamente fácil, o difícil foi fazer com que nos entregassem. Tendo em vista que estaríamos em campo, deixamos aos cuidados de Nina Aragão, nossa assessora de imprensa e produtora, para que pegasse a autorização pessoalmente na secretaria. Pedido realizado com 60 dias de antecedência, para nossa surpresa, quando Nina foi até a secretaria, um servidor informou que só entregaria a autorização um dia antes da nossa chegada ao Parque. Como já disse, estávamos em campo, partindo de São Pedro da Água Branca que fica cerca de 750 quilômetros de São Luís, não haveria a menor possibilidade de termos a autorização em mãos e ainda, a exigência da secretaria de que deveríamos apresentar a original nas guarnições que tomam conta do Parque. Não souberam passar localização das bases de acesso, tão pouco algum fone, nome ou qualquer outro tipo de contato. Tendo todas estas situações ainda mais um agravante, o contato com a prefeitura municipal de Mirador foi impossível. Nenhuma informação que está no site oficial procede. Links e emails que não funcionam.


Conseguimos, através da agência dos correios de Mirador, o contato do secretário de meio ambiente, mas o mesmo, nunca conseguiu sequer, responder com coerência o que perguntávamos. Foi tão frustrante que decidimos acessar o Parque por outro município – Fernando Falcão – na esperança de alguma “luz”. Mais frustrações e desinformação. Em Fernando Falcão não existem agências bancárias (apenas um correspondente bancário que funciona de segunda a sexta feira, quando tem dinheiro) e as pousadas (apenas duas) não aceitam qualquer tipo de cartão. Chegamos ali num sábado pela manhã. Desprovidos de uma reserva em dinheiro. Acabou que tivemos que nos hospedar, na confiança do proprietário de que pagaríamos na segunda feira e outro proprietário de um restaurante, também nos socorreu – sr. Nonato, um simpático ex-missionário evangélico. Em conversa com seu Nonato, ele nos explicou sobre as diversas dificuldades do município e até passou algumas informações que poderiam nos ajudar. Além disso nos apresentou o professor Júnior – jovem professor que atua na comunidade indígena dos Canela – e que poderia nos ajudar em nossas buscas.


Com o professor fomos até a aldeia dos Canelas, porém não houve uma recepção tão amistosa, creio que eles não compreenderam que nosso foco naquele momento era apenas a paisagem natural e que não era do nosso interesse fotografar a aldeia e seus habitantes. Achei muito interessante a atitude do cacique, que nos questionou se tínhamos autorização da FUNAI para realizar o trabalho, e claro que não tínhamos, pois naquele momento não fazia parte pde nossos planos adentrar aldeia alguma, estávamos meio que sem rumo. A aldeia dos canela já está totalmente urbanizada e certamente que eles têm seus receios em relação a pessoas que vêm “roubar” sua imagem. Dali percorremos pelo território, alguns rios, algumas serras, mas no fundo, nada de “puncutm”.


À noite voltamos para o hotel bastante decepcionados. Será que o olhar já estaria cansado? Será que a experiência negativa com os Canelas levou a esse sentimento? Não sei ao certo. A vontade era de ir logo embora. No dia seguinte ainda tentamos. Fomos em direção ao Parque, mas novamente, nada. Nos demos por vencidos! A natureza age desta forma mesmo. Tem dias em que quer ficar sozinha, sem se mostrar ou “dizer” qualquer coisa. É preciso “ver e ouvir” os sinais e respeitar. Na segunda feira fomos até o correspondente bancário. Por sorte nossa, havia a quantidade suficiente para pagar nossas contas e seguirmos viagem.


(Texto Edemar Miqueta)


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