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São Francisco do Maranhão - MA

Atualizado: Abr 30

(28/09/2018)


São Francisco do Maranhão é banhada pelo “Velho Monge” – o rio Parnaíba, que marca a fronteira entre Maranhão e Piauí. Com o apoio cultural da Prefeitura Municipal (Prefeito Adelbarto Rodrigues), através das secretarias de Educação/Cultura (Francenilton Pacheco) e Assistência Social (Helainne Almeida), além do Procurador do município Dr. Dominício Almeida (entusiasta e historiador) e o Divulgador do município Vando Clépi Nunes Bandeira, foi possível realizar um trabalho muito interessante.

Em Barão do Grajaú foi possível encontrar a Caatinga Maranhense. Em São Francisco, ouvimos falar que também encontraríamos. Em São Francisco pudemos contar com o auxílio do Dr. Domício, procurador do município, grande entusiasta pelo desenvolvimento de um turismo ecológico e historiador. Em sua companhia, juntamente com o divulgador do município Vando Clépi, foi que iniciamos nossas incursões. Nossa primeira saída foi dar um giro pelos arredores de São Francisco. Uma visita técnica para podermos observar melhor e decidir como proceder. Evandro ainda almejava uma fotografia mais Impactante do “vaqueio de couro”, Helainne Almeida nos disse que ainda encontram-se em ação na região.

Com Dr. Domício e Vando, percorrermos algumas centenas de quilômetros. Visitamos diversos povoados, serras, rios e a paisagem exuberante de São Francisco que, se mescla entre a Caatinga e o Cerrado além da chapada que se forma em toda a sua extensão. Mandacaru, Chique-Chique e Palma estão por toda parte, revelando esta Caatinga em meio ao Cerrado. Pelo caminho, numa casa muito humilde, de taipa, havia um bando de porquinhos à frente da casa. Na porta, uma senhora nos observava atentamente. Paramos a Valente, aquela imagem chamava muito a atenção. Com respeito deixamos sentir se haveria algum recuo por parte dela em ser fotografada. Percebemos que ela “se deixou”. Dos cliques iniciais de dentro do carro fomos além. Conhecemos dona Maria Aparecida, uma senhora muito simpática. Naquele momento pedimos para fotografá-la. Ela paradinha ali na porta era a cena perfeita. Pediu para que aguardássemos um pouco, foi para dentro da casa, escovou os cabelos já grisalhos, ajeitou e vestido e voltou – agora estou pronta, que quer que eu faça? Ficamos surpresos. Dr. Domício sugeriu que ela apenas desse ração para os gordinhos e bem tratados, porquinhos. Cliques para todo lado. Ela estava muito a vontade, percebi que estava até gostando daquela experiência. Quando saímos dali as conversas dentro da Valente ficaram ainda mais intensas. Aquela situação despertou memórias afetivas de Domício. Era possível ver os olhos dele brilharem. A sua empolgação era algo contagioso. Ouvi-lo contar os “causos” e histórias do lugar, nos faziam embarcar numa viagem através do tempo. Aquele senhor nos deu grande exemplo de vigor e vitalidade. Com 62 anos de idade, fazia inveja com toda a energia e força.

No segundo dia em São Francisco fomos conhecer o Morro da Cruz. De qualquer ponto da cidade é possível vê-lo. Abaixo de calor intenso e com grande esforço físico, subimos aquele morro, que na verdade é uma serra. Lá de cima a visão panorâmica é de encher os olhos. Dali é possível ver o desenho recortado que “O Velho Monge – Rio Parnaíba” forma. Uma sinuosidade que impressiona. Do alto firmo o olhar no horizonte e por vezes penso ser uma ilusão. É uma coisa tão doida isso – estar lá em cima vendo a fronteira bem marcada por dois estados do nordeste que em minha adolescência, nem imaginava que conheceria. Como o mundo ficou pequeno.


Como esse nosso Brasil é lindo e tantos outros clichês que você possa imaginar. Ah! O principal deles: como sou insignificante… vitimismo? Não, pura realidade. Lá em cima nos sentimos assim. Você precisa estar lá para entender. Evandro vai tentar passar isso através das imagens. Naquele mesmo dia saímos em busca do “vaqueiro de Couro”. Isso ainda estava muito forte na mente de nosso fotógrafo. Confesso que eu estava gostando da ideia. Imaginava que seria muito interessante ter este registro. Imaginei que a tarefa seria mais fácil. Só que não! Chegamos em duas comunidades e nada! Num terceiro povoado enfim encontramos, ao menos era o que parecia. Mas não foi não foi bem assim. Ali encontramos o seu Raimundo, vaqueiro já aposentado do ofício que até se dispôs a se deixar fotografar, porém não tinha o traje completo (Gibão). -Sabe, o Gibão quase ninguém mais tem! É caro demais. Completo custa perto de mil reais, os mais simples! – nos relatou seu Raimundo. E lá foi ele pra dentro de casa. Não demorou e seu Raimundo saiu todo arrumado com uma camisa social e calça jeans. A única peça que teria a originalidade que buscávamos era o chapéu. Evandro fotografou o máximo que pode, mas percebi que não estava rolando algo interessante. – Está tudo muito forçado - disse Evandro, um tanto insatisfeito. Imediatamente pedi a seu Raimundo se seria possível tirar a camisa, quem sabe ficaria mais original. Seu Raimundo sem desaprovação alguma se dispôs. As fotografias ficaram melhores, mas ainda não era aquilo. Faltava… faltava algo. Seguimos pela comunidades mas não tivemos sucesso. Havia um detalhe, que com certeza era o agravante para a nossa falta de sorte. Algo que Dr. Domício comentou na manhã seguinte, que o fato de estarmos usando roupas camufladas costumeiramente utilizada pelas forças armadas e policia especializada. Usamos esse fardamento por ser mais robusto e de fácil limpeza e secagem rápida, porém, assusta as pessoas, principalmente os moradores de áreas rurais. Nós até imaginamos que isso poderia acontecer, mas concluímos que estando acompanhados de pessoas do município e conhecidas de toda comunidade, isso não seria um problema. Estávamos enganados.

Empenhados em nos auxiliar, Dr. Domício e Vando conseguiram agendar numa comunidade próxima, com um grupo de vaqueiros, para que finalmente a fotografia fosse realizada. E assim aconteceu. Primeiramente seguimos um grupo de vaqueiros na lida do gado que estavam levando para uma outra localidade. O lugar foi perfeito, imagens lindas. Ao deixar aquele grupo fomos novamente para a comunidade, lá outro grupo nos aguardava para fotografá-los na lida que realizavam na fazenda. Um detalhe nos chamou muito a atenção: tratava-se de uma jovenzinha, de uns 10 anos, que dominava a cavalgadura como ninguém. A pequena era valentia que sobrava. Seu vigor e juventude exibiam com toda luz o orgulho que herdara na tradição do pai.

São Francisco do Maranhão foi um tesouro descoberto por entre as serras, a Caatinga, o Cerrado e desenhada pelo Velho Monge. Tudo isso você poderá ver muito em breve no resultado final deste trabalho quando da publicação do livro, que desde já sabemos da dificuldade da seleção das imagens que farão esta bela composição.

(Texto Edemar Miqueta)


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