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Tutóia - MA

Atualizado: Abr 30

(10/11/2018)


Tutóia já tem um roteiro turístico bem definido e descobrimos o porquê. A região possui praias belíssimas e outras paisagens que nos deixam na dúvida entre fotografar ou contemplar. Falar em paisagem exuberante já é repetitivo demais em se tratando de Maranhão. Se você nos acompanhou até aqui, penso que no mínimo o instigamos a conhecer tudo isso de perto.

Em Tutóia tivemos todo o apoio logístico da prefeitura municipal através da secretaria de turismo em parceria com a Associação do Trade Turístico de Tutóia – ATRATUR, além de Patrick, da Baluarte, que gerenciou todas as nossas atividades na cidade. Em nossa chegada fomos recepcionados pela equipe de Turismo:Fernanda Souza (Secretária de Turismo) e pelos assessores de turismo, Nathan Oliveira e Francisco Lemos. Foram dias de muitas “descobertas”. Já tinha ouvido falar de Tutóia, mas não tinha ideia de como ficaria surpreendido por tanta beleza.

Iniciando nossa jornada, na manhã seguinte, logo cedo, de lancha, partimos do porto de Tutóia e fomos até uma região aonde se encontram os navios naufragados. Quanta história junto àquelas carcaças que estavam “deitadas” sob a maré. Quanta coisa que nunca vamos saber pois ficaram esquecidas com o tempo. Talvez, lavadas e purificadas pela água e sal que a todo momento banham as estruturas ali dormentes. Em seguida fomos em direção aos igarapés na busca pelos cavalos marinhos. Nossa busca não foi muito produtiva, a maré já estava baixando e a água muito turva. Aquelas criaturinhas gostam das águas mais límpidas e de maré cheia. Encontramos apenas um, o que já foi um deleite, ao menos para matar a curiosidade de ver de tão perto. Evando o pegou nas mãos e fez algumas fotos, mas com certeza de que um outro momento seria propício, mas que infelizmente não poderíamos mais retornar. Quem sabe numa outra oportunidade.

O dia seguia e fomos até a Ilha do Caju, uma beleza sem tamanho. Dunas que encontram o mar e formam um desenho único. O vento fazia com que os grãos de areia desenvolvessem um espetáculo a parte. E quem diria, num local totalmente inóspito, de repente, desdendo tranquilamente numa duna, a dona raposa. Toda elegante e nem um pouco preocupada com a nossa presença, brincou por vários minutos numa lagoa. Só mesmo quando Evandro chegou muito próximo, a bichinha “deu no pé”. Com uma agilidade impressionante, desapareceu por entre as dunas. Até agora fico pensando aonde foi que ela conseguiu se esconder, afinal, Caju, é uma ilha formada por dunas sem qualquer tipo de vegetação, ao menos visível. Criaturinha esperta!

Não podíamos parar, o dia ainda prometia muito e navegar era preciso. A próxima parada foi na Ilha da Melancieira. Praias desertas que faziam a mente viajar. Quantos navegantes já aportaram por estas bandas? Lembra muito as cenas de filmes em que piratas chegavam para enterrar os lucros das suas pilhagens. Tarefa difícil fotografar um local como aquele e passar o sentimento que toma conta da gente naquele momento, através da imagem. Creio que tanto quanto tentar descrevê-lo com palavras. Ainda não encontrei a fórmula secreta para isso. Ficamos ali por cerca de dua horas. A barriga já roncava, a fome estava apertando e o sol queimava no céu. Já era passado de meio dia.


Voltamos à lancha para seguirmos à próxima parada, a Ilha do Caranguejo, aonde iríamos almoçar. Na Ilha do Caranguejo conhecemos o Felipe, proprietário do Bistrô da Ilha do Caranguejo. Um local que é um verdadeiro paraíso. Uma culinária toda especial com pratos deliciosos. Felipe nos preparou um verdadeiro banquete. Queria nos mostrar a maior parte das especialidades que serve ali. O atendimento de Felipe e sua família, não vi igual em nenhum local pelo qual já passei. E principalmente, podia sentir a sinceridade em seu jeito e suas palavras. Alguém que ama o que faz e que está apaixonado pelo lugar aonde está. Dá para entender. Logo a frente do Bistrô, a praia, totalmente deserta e a disposição para desfrute daqueles que têm o privilégio de estar ali. Garanto que você não hesitaria em passar alguns dias naquele lugar. Penso como deve ser lindo a noite. Ao fundo é possível ver Tutóia. O vento e o som das ondas nos fazem pensar na vida de uma forma mais intensa. Nos levam a momentos de reflexão profunda. Que presente do Universo poder estar ali naquele momento. De estar com aquelas pessoas e sentir a energia do lugar. Passamos boas horas por ali.


Conversa vai, conversa vem acompanhadas de uma comida espetacular. Sabores diversos que só faziam a nuance daquela situação se tornar ainda mais perfeita. Mas era preciso seguir, já se fazia hora certa de poder apreciar outro belo espetáculo da natureza, a revoada dos guarás em seu “dormitório”. Assim, fomos adiante. Mais ou menos meia hora de lancha da Ilha do Caranguejo, encontra-se uma ilhota formada por mangue alto, com suas raízes à mostra como se fossem sair caminhando mar adentro. O sol já estava querendo descansar e a luz ficou perfeita. Não demorou a surgirem os primeiros bandos da ave símbolo do Maranhão, o guará. A cada instante era possível observar grupos chegando de todas as direções. Eu tinha a impressão que cada grupo tem o seu lugar certo nas árvores do mangue. Junto aos guarás vinham também as garças. Os guarás tomavam conta da ilhota do mangue, parecia uma pimenteira gigante com pitadas brancas (as garças). Em pouco tempo a ilhota estava totalmente tomada pelo vermelho sangue. O sol em seus últimos raios do dia realçava ainda mais a tonalidade das plumagens. Quando pensei que tudo já estava para silenciar, um canto, como se fosse um comando, fez com que aquela imensidão vermelha levantasse voo e nos prestigiasse com um verdadeiro ballet aéreo. Numa coreografia muito bem ensaiada os guarás exibiam-se para as lentes de Evandro. Eram tantas as aves que não é possível quantificar. Eu estava a filmar mas tive que deixar a câmera de lado e apreciar o momento, não queria perder aquilo por nada. O sol nos dizia que era hora de voltar. Era necessário o descanso e a meditação para absorção de tudo aquilo que a nós foi dado naquele dia.

Uma nova manhã e muita expectativa. Desta vez a saída seria por terra (areia). De quadriciclo, apoiado por Ronaldo da JJTurTutóia (98) 98838-3280. Seguindo pelas praias que circundam Tutóia seguimos pela areia num passeio deslumbrante. Mas não demorou para vermos uma cena muito triste. Na areia da praia, uma tartaruga jazia por conta da inconsequência do homem. Certamente ficou presa na rede de pescadores. Uma prática comum na região, infelizmente. Junto a ela, uma senhora, encontrava-se desolada por ver aquela situação nos dizia: Até quando isso vai acontecer? O que vamos deixar para nossos filhos, netos e outras gerações, nada? Vocês são jornalistas? Mostrem isso pro mundo! Alguém tem que fazer alguma coisa! Sem dúvida, uma imagem desoladora. Eu não sabia o que dizer a ela. Fiz algumas fotografias com o celular, na verdade nem sei o porquê, talvez para mostrar aqui neste blog, assim como aquela mulher, eu estava indignado. Continuamos e tentei desfazer aquela imagem da minha mente.


As praias lindas e a cada quilômetro mais desertas. Cenas muito interessantes se formavam pelo caminho. Bem mais adiante chegamos a praia do amor. A paisagem ali era algo bem diferente de tudo o que já tinha visto, algo mais ou menos assim, surreal. Os troncos das árvores do mangue que foram sufocadas pelo avanço das águas é o que dava esse tom tão diferente, místico. Conforme o enquadramento em que observava aquilo, parecia uma obra de Dali. Não havia entendido ainda o porquê chamavam de praia do amor até que a explicação veio através de Fernanda, a secretária de turismo de Tutóia. A praia leva este nome por estar bem longe da cidade, é o local propício para os casais de namorados virem até o local para “curtir” a paisagem. Ótima explicação. Já passava do meio dia, era hora de almoçar. Fomos até a comunidade de Arpoador, na propriedade e restaurante do seu Didi. Outra vez um banquete nos esperava. Mais tarde seguimos para conhecer as dunas com os oásis de carnaúbas. O pôr do sol se fez especial naquela tarde. As carnaúbas se mostravam em silhuetas acompanhando as curvas das dunas. Passear por aquele espaço todo é uma viagem a um imaginário sem limites. Queria passar a noite ali. Deveria ter feito isso.

Em nosso final de jornada em Tutóia fomos conhecer os rios de águas cristalinas que se estendem por toda a região. Ao meio de tanto calor, refrescar-se nas águas límpidas não tem preço. Em todas as comunidades em que passamos fomos muito bem recebidos. É desses rios que o povo sacia a sede, usa para cozinhar, se banhar, lavar a roupa e também extrai o peixe. Vida por toda parte, vida...!


Tutóia foi uma grande experiência tanto de vida quanto fotográfica. Ali foi possível “respirar” a fotografia, senti-la como parte integrante de nossas vidas e não apenas como mero registro. Creio que estamos no caminho para chegar a uma fotografia, que eu considero essencial, a verdadeira expressão dos sentimentos.

(Texto Edemar Miqueta)



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